Cenário econômico nacional inspira novos investimentos na Indústria Têxtil "A demanda nacional de bens está crescendo além do PIB e, por este motivo, esperamos para este ano um aumento no consumo de têxteis na ordem de 12%”. Foi com este discurso que Ulrich Kuhn, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (SINTEX) abriu a Texfair 2010, que ocorreu entre os dias 18 e 21 de maio, em Santa Catarina. Na oportunidade, Kuhn destacou que, para acompanhar o progresso esperado, as empresas do setor estão investindo no aumento de sua capacidade instalada, seja adquirindo máquinas ainda mais rápidas e modernas, ampliando as plantas fabris existentes ou até mesmo construindo novas instalações. Com o objetivo de apurar o que as empresas participantes da feira estão fazendo para acompanhar o cenário exposto por Kuhn, a equipe de reportagem do Portal e Revista ABIT / Texbrasil Notícias ouviu sete representantes de indústrias nacionais. Aproveitando os bons ventos que sopram a favor da economia, a Altenburg, empresa de cama, mesa e banho de Blumenau, implementa este ano no nordeste sua nova unidade de travesseiros e edredons. Rafael Teixeira Locks, gerente de desenvolvimento de produto da marca, explica que a estratégia adotada irá levar para a região produtos com custo mais acessível, além de possibilitar a produção de estampas e coleções com características mais regionais. “O território nacional é rico culturalmente. Percebemos que é necessário ter certo regionalismo para atingirmos o público da melhor forma possível”, explicou. A capacidade da nova unidade está sendo estudada. “Os equipamentos ainda estão sendo comprados, então por em quanto não revelamos números de produção. Entretanto, para se ter uma idéia do que vem pela frente, com essa fábrica esperamos suprir as necessidades do mercado de travesseiros nordestino. Vários funcionários já foram contratados e estão em processo de treinamento”, destacou. No curto prazo, a empresa espera um aumento de 15% a 20% em seu faturamento devido à nova fábrica. A Altenburg possui duas unidades em Blumenau, emprega cerca de 1,8 mil funcionários e fatura R$ 27 milhões por mês. Outra empresa que está investindo na ampliação de sua planta fabril é a Jolitex Ternille, sediada na cidade de Diadema (SP). Fernando Vitor, diretor comercial da companhia, contou que além dos investimentos na expansão das instalações já existentes foram adquiridas novas máquinas que produzem cobertores e realizam acabamentos. “Com o antidumping contra os produtos chineses esperemos ter um bom retorno dessas operações”, revelou. A Jolitex Ternille é líder nacional em fabricação de cobertores, sendo que os produtos licenciados representam cerca de 20% de seu faturamento. Com seis mil metros quadrados divididos em cinco plantas fabris na cidade de Santa Barbara D’Oeste (SP), a Xanfer, empresa que produz toalhas de mesa, jogos de cama e outros itens para decoração, também possui planos de expansão de seu parque industrial. “Operamos hoje com 100% da capacidade física instalada; estamos suprimidos por espaço. Por este motivo planejamos construir uma nova fábrica em 2011, que deve aumentar em 50% o nosso faturamento. Quando a nova planta sair do papel, cerca de 200 funcionários deverão ser contratados. Em quanto isso, até o final deste ano devem ser chamados mais 20 colaboradores para trabalharem conosco”, apontou Fernando César da Silva, diretor comercial da Xanfer. Outra empresa que está operando com 100% da capacidade física instalada é a Sultan, do segmento de cama, mesa e banho. Marcia Becker, diretora de marketing da indústria, revelou que somente nos cinco primeiros meses de 2010 a marca cresceu cerca de 20%. “Para continuarmos expandindo, a solução que encontramos foi de importar alguns produtos, como tecidos e cobertores. Entretanto, o nosso objetivo é fortalecer a indústria nacional e, por este motivo, estamos construindo um galpão que terá novo maquinário em Itaquaquecetuba (SP), onde já possuímos uma fábrica”, explica. A marca, que possui também uma planta fabril no Mato Grosso do Sul, emprega 1,2 mil funcionários e produz um milhão de peças ao mês. “Estamos estudando ainda a viabilidade de construirmos uma nova fábrica a médio prazo”, finaliza Becker. Quatro anos é o tempo estimado por Germano Costa, gerente comercial e de marketing da Brandili, para que sejam investidos R$ 12 milhões na empresa. “Nosso planejamento estratégico foi traçado em diversas frentes, focando na melhora do processo, da capacidade produtiva e na expansão do espaço de armazenamento”, contou. “Iremos inaugurar em julho uma nova fábrica na cidade de Otacílio Rocha, próximo a Blumenau, com capacidade para 300 funcionários. Já iniciamos, inclusive, o processo de treinamento. Estamos também reorganizando o processo produtivo interno, investindo na aceleração da produção da planta atual e, paralelo a isso, investimos cerca de R$ 4 milhões em campanhas de marketing”, apontou. Segundo o empresário, a Brandili fabrica um milhão de peças de roupa infantil por ano e, desse total, a nova unidade irá contribuir com 30% da produção. “Essa fábrica vem suprir o maior gargalo que é a parte produtiva em Santa Catarina”, completa. A realidade de ampliação da capacidade instalada não é unânime. Há casos em que a marca não necessita de expansão. É o caso da Teka, produtora de artigos de cama, mesa e banho. Marcello Stewers, diretor vice-presidente da empresa, contou que a capacidade fabril da indústria no Brasil é muito grande. “Temos o segundo maior parque têxtil da América Latina, no momento não preciso investir. Modernizar alguma linha de produção sim, mas nenhum grande investimento”, enfatiza. A Teka opera atualmente com 80% de sua capacidade instalada, produzindo 1,9 mil toneladas ao mês. “Temos duas fábricas em Santa Catarina e duas fábricas em São Paulo, que empregam no total 3.800 funcionários. Vamos acompanhar o mercado e não sei dizer se iremos aumentar a nossa capacidade”, salientou. Em outros casos, a necessidade de ampliação existe, mas faltam incentivos. É o que diz Gina Ferreira, gerente de vendas da Pelican Têxtil. “Nossa indústria possui 45 anos e é praticamente exclusiva no que fabrica: peles sintéticas. Recentemente ampliamos a fábrica, mas não conseguimos comprar o maquinário necessário e, por este motivo, seguimos pelo caminho oposto e acabamos importando alguns tecidos. Faltam maiores incentivos do Governo, uma vez que a empresa tem um custo altíssimo para contratar funcionários e é utopia investir em maquinário sem esse tipo de apoio”, destacou a empresária. “Temos um produto diferenciado, mas a necessidade em se buscar alternativas para trazer uma linha complementar é real”, observa. A Pelican Têxtil possui uma fábrica em Santa Isabel (SP), onde produz 400 mil metros de tecido por mês e emprega 200 funcionários diretos e 100 indiretos.
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